A startup catarinense e associada à ACATE, Archo Medical, recebeu um aporte de R$5,7 milhões para disponibilizar ao mercado um dispositivo médico que permite um tratamento endovascular menos invasivo e mais acessível para os pacientes. A solução foi desenvolvida pensando principalmente nos casos de aneurisma e seus desafios.
Em entrevista para a Exame, Pierre Galvagni Silveira, cofundador da Archo, explica como um aneurisma pode ser fatal e representa um desafio para a medicina, especialmente em casos mais complexos. A medicina moderna tem recorrido à técnica endovascular, um método menos invasivo e mais seguro, desenvolvido há quase três décadas.
No entanto, sua aplicação nem sempre é eficaz, especialmente em situações em que o aneurisma está localizado em áreas complexas, como próximo às artérias que irrigam o cérebro e os braços, dificultando a abordagem convencional. “Para esses pacientes, o que temos hoje no mercado não resolve”, afirma o CEO da empresa, Henrique Luckmann. “O que propomos é um dispositivo que conecta essas áreas críticas e permite o tratamento endovascular mesmo em situações mais complexas”.
Como funciona o dispositivo da Archo Medical
O dispositivo desenvolvido pela Archo consiste em um stent autoexpansível, fabricado com uma liga metálica especial que se adapta ao formato das artérias. Ele é revestido por um material que assegura vedação eficiente e longa durabilidade. A implantação ocorre por meio de um cateter inserido na artéria femoral, que conduz o stent até o local da lesão. “Essa técnica evita a necessidade de cirurgias grandes e invasivas, como abrir o peito do paciente e realizar derivações manuais”, disse Galvagni à Exame.
Próximos passos da Archo Medical
Atualmente, o dispositivo encontra-se na etapa final de desenvolvimento e em fase de testes pré-clínicos. O início do primeiro estudo em humanos está programado para o terceiro trimestre de 2025, com o objetivo de avaliar sua segurança e viabilidade.
O aporte de R$5,7 milhões recebido pela Archo Medical será utilizado para concluir os testes pré-clínicos necessários e financiar o primeiro estudo em humanos, que vai incluir 10 pacientes e testar a segurança do dispositivo em ação. Com as devidas aprovações da Anvisa e dos orgãos necessários, a expectativa é que a solução já possa ser comercializada no Brasil a partir de 2026.
A empresa também tem como foco a expansão internacional. Hoje, a maior parte dos dispositivos médicos é desenvolvida e fabricada fora do Brasil. Com seu novo produto, a Archo Medical planeja ampliar as vendas para a América Latina e, em seguida, alcançar mercados ainda mais distantes.
“Estamos construindo algo para o longo prazo. Acreditamos que nossa tecnologia vai beneficiar não só pacientes, mas também o setor como um todo, trazendo inovação e competitividade para o Brasil”, afirmou Luckmann à Exame.
A Vertical Saúde da ACATE
A Vertical Saúde é composta por mais de 100 empresas de tecnologia que atuam no desenvolvimento e comercialização de soluções para o segmento de saúde. Entre as participantes do grupo, estão empresas como a Archo Medical, e outras que desenvolvem soluções como IoT, business intelligence, big data, sistemas e analytics com aplicação para medicina preventiva e personalizada.
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Fonte: Exame | Imagem: Arquivo pessoal
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