O Warm-Up Conexão Indtech reuniu empresários, gestores industriais e profissionais de transformação digital para palestras, painéis e um workshop prático sobre inteligência artificial (IA) aplicada à indústria. A agenda pelo Polo ACATE-CETUS na última quinta-feira (16), no CRIO (Centro de Inovação de Criciúma), movimentou o ecossistema de inovação do Sul catarinense, sendo um ponto de convergência para a inovação industrial.
A programação também promovida pela Vertical Manufatura 4.0 teve o objetivo de compartilhar conhecimentos e impulsionar no Brasil práticas que já avançam em ritmo acelerado em outras regiões do mundo. Confira alguns destaques dos conteúdos do evento:
Dados desorganizados como o maior obstáculo à automação na indústria
O evento debateu o descompasso entre a ambição de automatizar e a real condição dos dados que sustentam os processos, uma vez que setores industriais ainda dependem de planilhas, sistemas isolados e conhecimento concentrado em poucas pessoas. Sendo assim, dificulta-se a transformação dessas informações em valor para o processo, o produto final e a experiência do cliente.
Essa realidade também aparece nas grandes feiras do setor: a procura que há poucos anos era por soluções de Indústria 4.0 de forma ampla, hoje concentra-se diretamente em inteligência artificial, ainda que a própria IA seja apenas um dos pilares dessa transformação, e não um substituto para ela. Na prática, muitas empresas buscam automação sobre processos que, por trás da interface digital, ainda dependem de cadastros manuais em planilhas, sujeitos a erros de digitação e duplicidade.
O recado de algumas palestras durante o Warm-Up Conexão Indtech foi direto: nenhuma ferramenta de inteligência artificial organiza, sozinha, uma base de dados desestruturada, ou seja, sem continuidade digital e sem qualidade na origem da informação, o risco de respostas incorretas ou pouco confiáveis aumenta e o retorno sobre o investimento em licenças tende a decepcionar. Portanto, a causa raramente está na tecnologia, e sim na camada de dados que ainda não alcançou a maturidade necessária.
A governança da IA ganha estrutura dentro das empresas
Enquanto parte da indústria ainda organiza sua base de dados, outra frente já avança para a governança do uso de IA dentro das companhias. Levantamentos internos sobre o uso não autorizado de ferramentas de IA pelos próprios colaboradores, prática conhecida como shadow IA, têm motivado a criação de comitês dedicados e de políticas específicas, hoje já em versões mais maduras e mais transparentes sobre riscos e consequências para quem descumpre as regras.
Essa governança aparece em três frentes complementares. A primeira é tecnológica: plataformas proprietárias que integram diferentes modelos de IA generativa aos dados internos da operação (faturamento, produção e margem, entre outros) permitem consultas em linguagem natural, com registro completo de cada interação e proteção do dado sensível, que não deixa o ambiente interno mesmo quando a consulta recorre a serviços externos. A segunda é normativa, com códigos de conduta elaborados junto às áreas jurídica e de compliance para restringir o uso de ferramentas pessoais, gratuitas ou pagas, sobre dados da empresa. A terceira é educacional, com programas de letramento em inteligência artificial que devem estender-se de colaboradores internos a fornecedores e parceiros de negócio. No entanto, o amadurecimento é desigual entre essas três frentes, contudo a direção é comum: transformar o uso da inteligência artificial de uma prática individual e não monitorada em um processo institucional, seguro e replicável.
O papel da automação no trabalho e a expectativa para o Conexão Indtech
Os desafios mencionados ao longo do Warm-up Conexão Indtech reforçaram a dificuldade de medir o retorno de investimentos em tecnologia e a escassez de mão de obra qualificada para conduzir essa transformação. Ainda assim, o temor de que a automação reduza postos de trabalho perde força diante de outra leitura defendida com convicção pelos participantes, onde a tecnologia não elimina empregos, ela reorganiza o mercado de trabalho e exige novas competências.
É justamente para preencher essa lacuna de conhecimento que iniciativas como o Warm-Up Conexão Indtech ganham relevância. Ao aproximar tomadores de decisões num mesmo ambiente, o evento cumpre a responsabilidade de consolidar o ecossistema brasileiro como referência em Manufatura 4.0 e ampliar o acesso a práticas que já transformam operações industriais em outras partes do mundo. Esse é o mesmo caminho que leva à 2ª edição do Conexão Indtech, em 11 de novembro de 2026, no Ágora Tech Park, em Joinville. O próximo evento será o momento de aprofundar conhecimentos e conexões, transformando as discussões em parcerias estratégicas, novos negócios e soluções práticas que aceleram a transformação dos parques industriais.
O encontro é realizado pela Vertical Manufatura 4.0 da ACATE, grupo de negócios que une mais de 110 empresas com competências complementares que apresentam novas soluções e agregam valor em serviços nas áreas de IoT, Big Data e AI. Tem como objetivo ser a principal referência de inovação e de soluções da indústria 4.0 no Brasil. Saiba mais sobre a Vertical!
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