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17/set/2026

Benner lança Torre de Controle baseada em IA para prever risco de atraso e apontar viagens críticas

Direcionada a transportadores, embarcadores e operadores logísticos, ferramenta já está disponível para o mercado
A Benner, de Blumenau, passou a orientar todo o uso de IA em suas soluções por regras de governança e segurança

A Benner, empresa associada à ACATE-BLUSOFT que é uma das principais fornecedoras brasileiras de software de gestão empresarial, lançou uma Torre de Controle Logística, solução que reúne informações de sistemas diferentes em um só painel e usa inteligência artificial para prever risco de atraso, apontar viagens críticas e priorizar as ocorrências que exigem resposta mais rápida. A empresa realizou o desenvolvimento da ferramenta que já está disponível no mercado e atende transportadores, embarcadores e operadores logísticos.

A solução atua sobre a origem do atraso, que costuma estar em etapas anteriores ao transporte, como indisponibilidade de estoque, separação fora do tempo previsto, demora na emissão de documentos, carregamento fora da janela programada ou coleta não realizada. Esses eventos ficam registrados em sistemas distintos e chegam parcialmente a cada área envolvida na operação, o que retarda a identificação do desvio. A Torre de Controle consolida esses registros na mesma jornada de carga e sinaliza o risco durante a execução.

De acordo com o Gerente de Produto de Logística, Rafael Loth, a diferença está no intervalo entre o desvio e a decisão. “Quando a empresa percebe o problema, a margem de reação já encolheu e a equipe entra em regime de urgência para recuperar uma operação que saiu do controle muito antes. A proposta é encurtar essa distância para que ainda exista alternativa, como reprogramar a rota, trocar o veículo ou negociar uma nova janela com o cliente”, afirma.

Gestão por exceção

A solução opera por critério de exceção, o que significa que um veículo parado dentro da janela prevista não gera alerta, enquanto a mesma parada é classificada como crítica quando compromete uma entrega prioritária, afeta uma sequência de destinos ou coloca em risco um compromisso contratual. A inteligência artificial cruza os eventos da operação com o planejamento para definir o grau de urgência, o que reduz o tempo gasto pela equipe na triagem de ocorrências.

Para Rafael, o critério de prioridade depende de responsável definido para cada tipo de alerta. “Destacar a ocorrência resolve parte do problema, porque o alerta que não chega a quem pode avaliar e executar a ação vira mais uma notificação na fila. A operação precisa definir quem trata cada desvio e em que ponto o caso sobe para a liderança, para o atendimento ou para o cliente”, explica.

No mesmo ambiente, o painel acompanha entregas, coletas, rotas, custos, prazos, ocorrências e indicadores de nível de serviço em tempo real, com os dados consolidados em uma visão única e sem exportação manual de relatório.

Integração com outros sistemas

A Torre de Controle se conecta ao Transportation Management System (TMS), Enterprise Resource Planning (ERP) e ao Yard Management System (YMS), além de aplicativos de entrega, rastreadores e sistemas das transportadoras. A empresa não precisa substituir as plataformas em uso, porque a solução trabalha sobre os dados que elas produzem.

A falta de integração entre esses sistemas gera decisões tomadas com informação defasada, como programação de transporte sem visão atualizada da disponibilidade da carga, etapas concluídas no armazém sem repasse imediato à equipe de coleta e prazos assumidos pela área comercial sem consulta às restrições operacionais.

Segundo Loth, essa integração muda a forma como a empresa investiga o atraso. “Enquanto os sistemas trabalham separados, a cobrança recai sobre o transporte, que é a última etapa visível da operação. Quando os dados do armazém, da gestão empresarial e do pátio ficam na mesma leitura, a empresa consegue mostrar em que ponto da jornada o desvio começou e corrigir ali”, acrescenta o gerente.

A consolidação dos dados abrange tanto a viagem quanto as condições que determinam o início dela, o que antecipa a identificação do risco. O perfil de empresa mais aderente à solução é o que investiu em sistemas ao longo dos anos e ainda depende de conferência manual para consolidar informações. Operadores logísticos com contratos de vários clientes na mesma malha representam o caso mais frequente, pelo volume de origens e destinos envolvidos.

Indicadores

O registro contínuo de eventos, tempos e desvios forma uma base de análise que identifica padrões de recorrência, entre eles as rotas com maior instabilidade, as transportadoras que concentram ocorrências, os pontos de atraso frequente nas coletas e as regiões com mais reprogramação. Esse histórico permite distinguir o imprevisto pontual do problema estrutural, já que atrasos repetidos no carregamento indicam ajuste no fluxo do armazém, e desempenho abaixo do contratado fornece evidência para renegociação ou redistribuição da operação.

Parte das empresas do setor logístico ainda trabalha com indicador retrospectivo, com dados sobre o volume de atrasos no mês encerrado e sem visibilidade sobre as entregas em risco no momento da consulta, lacuna que o acompanhamento em tempo real procura cobrir.

Segundo o executivo, a padronização dos registros determina até onde a inteligência artificial consegue chegar. “A tecnologia centraliza a informação, mas depende da disciplina com que a operação registra e compartilha os eventos. Se o status é atualizado só depois da entrega ou se o parceiro não informa a ocorrência, a decisão continua sendo tomada sobre uma realidade parcial”, conclui Loth.

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