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29/out/2019

Dificuldades técnicas e mudança cultural: fundação da Betha Sistemas trouxe muito mais do que informatização à região de Criciúma

Fundada há 34 anos, hoje a empresa conta com mais de 550 colaboradores diretos e tem atuação em todo território nacional

“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”. Com essa frase, César Smielevski, um dos fundadores da empresa Betha Sistemas, resume o início de uma trajetória de sucesso que completa, neste mês, 34 anos. Numa época em que a informática dava seus primeiros passos, o jovem recém-formado em Ciências da Computação encontrou no engenheiro eletricista Cláudio Balsini o parceiro perfeito para encarar um grande desafio. “Tínhamos pensamentos parecidos e gostávamos muito da área da informática. Na época eu queria montar uma empresa de software e o Balsini, que era proprietário de uma escola, pretendia modernizar os processos da instituição, que eram todos manuais”, explica.

O primeiro passo foi comprar, juntos, um computador. “Ele custava exatamente o mesmo valor do Escort, que era o lançamento da Ford”, lembra César – naquele ano, em 1985, o carro valia o equivalente a R$ 95 mil – “Foi um início muito difícil. Éramos regidos pela Lei da Reserva de Mercado, o que nos permitia investir apenas em equipamentos brasileiros. Eles eram extremamente caros e frágeis, não havia reposição de peças e a dificuldade de encontrar era imensa. Mas mesmo assim não desistimos. Compramos um Cobra (Computadores Brasileiros) e seguimos em frente”, comenta.

E foi assim que nasceu a Betha Informática, empresa desenvolvedora de sistemas para folha de pagamento, estoque, contabilidade, contas a pagar e a receber para clientes da iniciativa privada. Paralelo a isso, percebendo uma necessidade pujante do mercado, Smielevski e Balsini abriram uma loja de aluguel de equipamentos, manutenção e venda de acessórios. Tudo o necessário para que as empresas e lojas da região começassem a informatizar seus processos internos.

“Além das dificuldades técnicas encontradas no início, também enfrentamos uma questão cultural muito grande. Na nossa própria empresa, por exemplo, depois de tirar os relatórios no nosso sistema, o financeiro fazia os cálculos manuais para conferir se estava ok” diz, ao relembrar: “Era tudo tão estranho no início que lembro de um dono de transportadora que queria um computador. Nós o convencemos a não comprar, porque ele simplesmente não sabia e não tinha o que fazer com a máquina. Os equipamentos eram como uma nave espacial que você adquiria e colocava na sala, sabe? Estava lá pelo show, pelo enfeite, porque ninguém sabia ao certo pra quê serviam”, comenta.

Quando os computadores passaram a ser mais competitivos, a loja fechou as portas. O desenvolvimento dos sistemas passou a ser o foco exclusivo da Betha Informática que, pouco a pouco, foi ganhando espaço no mercado e confiança dos clientes. “Recordo de um fato interessante que marcou essa época, quando os índices de inflação eram galopantes. Nós atendíamos a Carbonífera Próspera, e o aluguel dos sistemas era corrigido justamente pela inflação. As mudanças na economia fizeram o faturamento da empresa aumentar muito sem que tivéssemos alterado o serviço prestado. Foi aí que o Balsini me chamou e disse que não se sentia confortável com a situação. Ele não achava justo que aquilo continuasse, e eu concordava. Sentamos com o financeiro da Carbonífera e reduzimos em 30% o valor da mensalidade. Na hora eles não acreditaram, mas era o que a consciência nos mandava fazer. Isso mostra como a ética e a integridade, que hoje figuram entre os nossos valores, sempre estiveram no DNA da Betha”, evidencia.

Com a ascensão dos sistemas e investimentos crescendo na área, em 1995 a Betha passou a atuar exclusivamente com órgãos públicos municipais, oferecendo o que eles precisavam para informatizar toda a gestão do município. Aos poucos a empresa foi ganhando clientes na região e se destacando no Estado, crescendo, contratando e se especializando na área. “O segredo sempre foi confiar nas pessoas, dando oportunidades e chances de crescimento a elas. Exemplo disso é o nosso atual presidente, Aldo Garcia, que começou conosco há mais de 20 anos como motorista. Nunca tivemos medo de delegar tarefas, e por isso nosso crescimento foi natural, espontâneo. Aqui os colaboradores sentem que fazem parte e que são importantes para o processo; eles realmente vestem a camisa da empresa”.

“Estamos preparados. O futuro não nos assusta” 

De acordo com César, a ideia é continuar crescendo e sendo a maior e mais forte empresa na área de desenvolvimento de software para gestão municipal do país. Para isso, os investimentos em tecnologia continuam frequentes. “Estamos trabalhando no cloud há oito anos, e mais de R$ 50 milhões já foram investidos no projeto. Sabemos que, da mesma forma que há 34 anos, passaremos por uma mudança de cultura grande. Todo mundo tem medo do novo, mas quando ele deixa de ser novo, as coisas fluem com tranquilidade. E assim será, porque estamos preparados. O futuro não nos assusta”.

Números da Betha hoje:

  • Presente em mais de 800 municípios brasileiros;

  • Mais de 40 soluções desenvolvidas para facilitar a gestão pública municipal;

  • 550 colaboradores diretos e 450 indiretos;

  • Cinco filiais, 21 revendas e presença comercial em 19 Estados brasileiros.

Fotos: Patrícia Roldão

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