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12/mar/2012

Código de CT&I não contempla a dinâmica da inovação, aponta setor empresarial

Representantes da iniciativa privada criticaram, na última quinta-feira (8), a proposta em tramitação no Congresso sobre o Código Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. De acordo com o segmento, o texto não contempla a relação entre a academia e o setor empresarial, fator primordial para alavancar a inovação no país.

Representantes da iniciativa privada criticaram, na última quinta-feira (8), a proposta em tramitação no Congresso sobre o Código Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. De acordo com o segmento, o texto não contempla a relação entre a academia e o setor empresarial, fator primordial para alavancar a inovação no país.

“O código é muito bom para resolver os problemas no dia a dia das pesquisas, mas não está conectado àquele ente empresarial”, observou o novo diretor de Inovação da Confederação Nacional da Indústria, Paulo Mol, durante o Fórum Conjunto dos Conselhos Nacionais de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti) e das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), em Curitiba (PR).

Elaborado no ano passado pelos dois conselhos, o texto reúne regras de incentivo ao desenvolvimento científico. O instrumento prevê, por exemplo, a isenção de impostos de importação para materiais de pesquisa e flexibiliza a Lei de Licitações (8.666/93) para as compras e contratações no setor.

O secretário executivo da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), Naldo Dantas, pontuou que foi essencial colocar o tema na mesa, mas segundo ele, faltou ouvir todos os lados envolvidos. “O cerne do código é trazer segurança jurídica para o gestor público, mas não traz a questão da relação com o setor privado”, disse.

“Não fomos convidados para a construção desse documento. Como seremos exitosos nesse processo de inovação se este ente [setor privado] não foi contemplado?” questionou Mol. “Nos colocamos à disposição para trabalhamos juntos porque esta é uma agenda que interessa a todos. Não podemos cometer os mesmos erros do passado, de trabalharmos separados”, completou.

O presidente do Consecti, Odenildo Sena, reconheceu que a proposta encaminhada à Câmara dos Deputados e ao Senado é bastante acadêmica, mas disse que há oportunidade do setor privado contribuir. “Alguém precisava tomar uma iniciativa e o Confap, o Consecti, em parceria com a ABC [Academia Brasileira de Ciências] e a SBPC [Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência] colocaram o código para tramitar nas duas casas. Está havendo uma articulação com outras entidades do setor para que a gente aprimore o máximo possível”, destacou.

Também presente no evento, que termina hoje (9), o secretário executivo do MCTI, Luiz Antonio Elias, garantiu que ainda neste mês, o governo federal termina a análise dos principais elementos do código. O objetivo é discutir o instrumento com o Confap, Consecti, ABC e SBPC e em seguida debater a pauta com o setor empresarial.

“É muito importante que a gente articule todos os atores envolvidos. O compromisso é fechar o documento ainda em março de 2012 dentro do governo federal, naquilo que é possível fechar. O que tiver polêmica, levaremos à discussão”, explicou Elias.

Entretanto, Dantas lembrou que todo esse processo é demorado e o texto pode ficar parado no governo, já que não atende as reivindicações de todo o Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI). “Se a gente fizer uma proposta para ir para o MCTI, isso não vai sair rápido. Vai transitar três ou quatro meses, chegará à Casa Civil e será bloqueado, porque não contempla a dinâmica de inovação que foi solicitada pela presidente [da República, Dilma Rousseff]”, falou.

Fonte: Gestão C&T

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