Observatório ACATE 2025: Insights sobre as empresas de tecnologia de Santa Catarina
Santa Catarina é o sexto estado com maior número de empresas de tecnologia do país, representando 5% do total nacional, conforme dados do Observatório ACATE 2025.
O estudo, realizado pela ACATE em parceria com a Neoway, oferece uma visão estratégica do setor, reunindo dados que ajudam a compreender a evolução e os desafios do ecossistema de inovação de SC. O levantamento analisa quatro grandes temas: Faturamento, Empresas e Empreendedores, Ensino e Colaboradores.
Neste artigo, vamos focar na temática das Empresas e Empreendedores. Já falamos sobre faturamento aqui.

Empresas de tecnologia em Santa Catarina
Em 2024, o setor de tecnologia brasileiro registrou o total de 585,5 mil empresas, com uma redução de 0,3% em relação ao ano anterior. Enquanto o cenário nacional de tecnologia mostrou sinais de estagnação, Santa Catarina não apenas cresceu, mas o fez no ritmo mais acelerado do país: um avanço de 6,2%.
Este número, por si só, já seria notável, mas ele se torna ainda mais significativo quando observamos que grandes polos como São Paulo (- 0,4%) e Rio de Janeiro (- 4,49%) registraram retração.

A história do desenvolvimento das empresas de tecnologia em Santa Catarina é marcada por iniciativas criadas para apoiar empreendedores em todas as fases, desde a concepção até a consolidação dos negócios.
Desde a fundação da ACATE, em 1986, quando havia cerca de 100 empresas, o crescimento do setor de tecnologia de SC foi acelerado. Hoje SC ocupa a 6ª posição no ranking nacional, com 29,3 mil empresas, o que representa 5% do total do país.
Número de empresas por mesorregião de SC
O desenvolvimento tecnológico catarinense é um fenômeno distribuído: A Grande Florianópolis concentra um terço das empresas (33,7%), o que posiciona a região como um dos hubs mais relevantes da América Latina. Já o Vale do Itajaí (26,3%) e o Norte catarinense (15,6%) formam eixos secundários robustos, criando uma rede de inovação que se espalha pelo território.

Esse movimento é fortalecido pelos Polos Regionais da ACATE, que conectam empreendedores, empresas e instituições locais em torno de agendas de inovação, além da Rede MIDIHUB – iniciativa composta por uma dezena de incubadoras que utilizam a metodologia MIDITEC para desenvolver startups.
Cada polo, respeitando as vocações econômicas de sua região, atua como ponto de articulação para novos negócios, geração de empregos e fortalecimento do ecossistema em escala estadual.

Número de sócios nas empresas de tecnologia
São Paulo lidera, concentrando mais de 240 mil sócios, reflexo natural da representatividade do estado como um centro econômico nacional.
Outros polos de inovação começam a ganhar força: Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná mostram expansão relevante, e Santa Catarina já aparece na sexta posição nacional.
Em 2024, a Grande Florianópolis se destacou com 11.668 sócios, sendo a mesorregião com o maior crescimento, seguida pelo Vale do Itajaí com 8.835 sócios e o Norte Catarinense com 6.119.
O aumento do número de sócios em regiões como Vale do Itajaí e Norte Catarinense indicam a formação de ecossistemas locais. Neles, universidades, parques tecnológicos e empresas se conectam e criam um ambiente fértil para inovação.

Olhando para o futuro: desafios e oportunidades
O crescimento acelerado, naturalmente, traz consigo novos desafios. Para que o desenvolvimento seja sustentável e inclusivo, dois pontos merecem atenção:
• Capital Humano: O perfil do empreendedor local, com idade média de 40 anos, mostra experiência. No entanto, a baixa participação feminina (apenas 24% dos sócios no Brasil são mulheres) aponta para uma oportunidade clara de ampliar a diversidade e, consequentemente, o potencial inovador do ecossistema.
• Infraestrutura e Descentralização: Garantir conectividade de qualidade e estimular o setor de tecnologia fora das capitais permite que outras regiões do estado também colham os benefícios do crescimento, reduzindo desigualdades e ampliando a base de talentos.
A trajetória de Santa Catarina, de uma centena de empresas em 1986 para quase 30 mil hoje, é um estudo de caso sobre como a colaboração entre iniciativa privada, governo e universidades — a chamada tríplice helice — pode gerar resultados extraordinários.
O desafio agora é manter o ritmo, garantindo que o crescimento venha acompanhado de inovação constante, formação de novos talentos e capacidade de competir em escala global.
Sobre o Observatório ACATE
O Observatório ACATE compila dados confiáveis sobre o setor de tecnologia catarinense, com base em informações da Neoway, RAIS e outras fontes oficiais. A ferramenta permite interpretar tendências, identificar oportunidades e desafios, apoiando decisões estratégicas de empresas, investidores e gestores públicos.
Já falamos sobre faturamento aqui. Nas próximas publicações, vamos explorar outros dados do Observatório, como colaboradores e ensino, oferecendo uma visão completa do ecossistema de tecnologia em SC e seu potencial de crescimento futuro.
Acesse o estudo completo aqui.
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