Mulheres na Tecnologia: Empoderamento e Formação de Talentos em Santa Catarina
Santa Catarina é reconhecida por seu ambiente empreendedor dinâmico e inovador. O ecossistema de inovação local abriga startups, centros de pesquisa e programas de capacitação que, juntos, formam uma rede de apoio essencial para a transformação digital. Dados do Observatório ACATE mostram que o setor de tecnologia em SC já soma R$ 38,3 bilhões em […]
Santa Catarina é reconhecida por seu ambiente empreendedor dinâmico e inovador. O ecossistema de inovação local abriga startups, centros de pesquisa e programas de capacitação que, juntos, formam uma rede de apoio essencial para a transformação digital. Dados do Observatório ACATE mostram que o setor de tecnologia em SC já soma R$ 38,3 bilhões em faturamento, sendo o 6° maior faturamento do Brasil. E a previsão é que seu crescimento continue, com quase 100 mil contratações que devem ser feitas no setor entre 2025 e 2027, como aponta o Mapeamento de Demanda e Perfil de Talentos para o Setor de Tecnologia de SC. Mas essa expansão também se estende para as mulheres na tecnologia?
Apesar do ambiente fértil e da clara perspectiva de crescimento, o público feminino ainda é menor nesse setor. Esse desequilíbrio ressalta a importância de iniciativas que incentivem a participação de mulheres, contribuindo para a diversidade e a riqueza de ideias que impulsionam a inovação. Pensando nisso, a ACATE, juntamente com empreendedoras associadas, vem apoiando diversas iniciativas de formação de talentos que potencializam o crescimento do setor e ampliam as oportunidades para as mulheres na tecnologia.
Para aprofundar esse tema, os insights de Tatiane Bertoni, Diretora do Grupo Temático Mulheres ACATE , e de Nina Rosa, Vice-diretora da Vertical Manufatura 4.0 da ACATE, são explorados ao longo do restante do texto, evidenciando como a união de experiências e estratégias pode transformar o cenário e inspirar novas gerações.
Desafios para as mulheres na tecnologia
Embora o setor de tecnologia esteja em expansão e repleto de oportunidades, a permanência das mulheres na área ainda enfrenta desafios estruturais e culturais. Tatiane Bertoni, Diretora do GT ACATE Mulheres, destaca a importância de criar um ambiente mais acolhedor e inclusivo. “O mais difícil não é ir para a área de tecnologia, é permanecer na área”, ressalta, apontando para a necessidade de programas de apoio que auxiliem na superação de barreiras como o preconceito e a falta de representatividade.
Iniciativas como o Prototipando a Quebrada demonstram o impacto positivo desse suporte ao oferecer não apenas conhecimento técnico, mas também uma rede de apoio e inspiração para que mais mulheres possam se manter e crescer no setor.
Além dos desafios externos, muitas mulheres também enfrentam barreiras internas, como a insegurança em relação às próprias habilidades. Nina Rosa, Vice-diretora da Vertical Manufatura 4.0 da ACATE, reforça essa percepção. “Muitas vezes, o maior desafio que podemos enfrentar somos nós mesmas, não acreditando que podemos ocupar aqueles espaços. Eu mesma sou formada em Administração, fiz um mestrado em Marketing e fui me especializando. Fui me desenvolvendo dentro da ACATE e dentro da Vertical Manufatura. E foi assim, aos poucos, que fui superando meus desafios e me consolidando profissionalmente.”
Tatiane também ressalta que essa falta de confiança tem raízes na cultura e na educação. “Ainda existem muitos dogmas de que a mulher não é boa em finanças, a mulher não é boa em tecnologia. Isso nos atrasa e torna o desafio ainda maior. Quando as mulheres ingressam nos cursos de tecnologia na graduação, elas são minoria e muitas vezes acabam à margem. Quando entram em uma empresa, continuam sendo minoria.”
Essa realidade reforça a importância de iniciativas que promovam um ambiente mais equitativo e de referência, mostrando que há espaço para as mulheres no setor e que elas podem – e devem – ocupar esses lugares.
A importância da rede de apoio para as mulheres na tecnologia
Para que mais mulheres se destaquem e permaneçam na área de tecnologia, a construção de redes de apoio é fundamental. Ter um espaço para troca de experiências, aprendizado contínuo e suporte mútuo pode fazer toda a diferença.
“O conselho que eu daria é não desistir, buscar se especializar principalmente em comunicação, liderança e estratégia, além de procurar redes de apoio […] porque é sempre valioso ouvir o que outra mulher está passando”, destaca Tatiane Bertoni.
Essas conexões podem acontecer tanto em ambientes presenciais quanto em comunidades online, onde grupos temáticos oferecem suporte e incentivo. A própria trajetória de Tatiane reforça essa importância: desde o início de sua carreira, ela se envolveu em iniciativas como empresa júnior e grupos como o Eu Conecto, destacando que ocupar espaços e criar redes são passos essenciais para quebrar barreiras e impulsionar o crescimento profissional.
Nina Rosa, que além de vice-diretora da Vertical Manufatura 4.0 da ACATE também é CEO da LAEPI – empresa referência na área de ruído e vibrações –, acredita que a inclusão também passa por mudanças na cultura organizacional.
“Quando trabalhamos com serviços de tecnologia, vemos que, se não desenvolvermos pessoas e incentivá-las, fica ainda mais difícil inovar. Pensando nisso, contamos hoje com um corpo técnico que trabalha em pares, com rodízio de atividades e atuação em várias frentes. Isso impulsiona as profissionais, que têm a possibilidade de se desenvolver e de se apoiar umas nas outras.”
Além de promover a colaboração, Nina ressalta o papel essencial da liderança feminina nesse processo. “É importante estar atento ao impacto que temos como líderes. Lideranças devem ter sensibilidade e a intenção real de apoiar pessoas. Justamente por isso, eu busco sempre ser humana em minha gestão”, completa. O incentivo e a presença de referências femininas no setor são fatores determinantes para que mais mulheres se sintam encorajadas a permanecer e crescer no mercado de tecnologia.
Formação de talentos em tecnologia
A ACATE, junto aos seus programas, apoia mais de 30 iniciativas de educação profissional, abarcando desde crianças e adolescentes, até capacitação em tecnologias emergentes para profissionais. Entre 2021 e 2024, mais de 44 mil jovens e adultos foram impactados por ações de educação profissional apoiados pela ACATE.
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Grupo Temático Mulheres ACATE
A ACATE vem fomentando o debate e a ação em prol da igualdade de gênero através do Grupo Temático Mulheres ACATE. Esse grupo atua não só na promoção de eventos e iniciativas de capacitação, mas também na criação de uma comunidade de apoio que fortalece a presença feminina em todos os níveis do setor tecnológico. Com uma abordagem que une experiência, inovação e apoio mútuo, o Grupo Temático Mulheres ACATE já conta com mais de 100 empresas aderidas ao grupo. Saiba mais sobre aqui!
Imagem: Freepik
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