Santa Catarina

14/mar/2019

Mulheres ainda enfrentam uma série de obstáculos no setor de tecnologia

Relatório do Sistema de Inteligência Setorial (SIS) do Sebrae apresenta cenário do Brasil e SC, além de abordar iniciativas que incentivam o empoderamento feminino

Estamos no mês das mulheres e isso nos lembra que elas ainda precisam superar muitos obstáculos no mercado de trabalho, especialmente no setor de tecnologia. Em 2017, a Organização das Nações Unidas (ONU) alertou para o fato de o sexo feminino estar de fora dos principais postos de trabalho gerados pela revolução digital. A organização estima que, atualmente, apenas 25% da força de trabalho da indústria digital seja representada por elas. Para analisar a situação, o SIS/Sebrae elaborou um relatório que apresenta dados sobre o cenário brasileiro e catarinense, além de abordar iniciativas que incentivam o empoderamento feminino no segmento.

 

Aproveitar o potencial das mulheres na tecnologia vai além de discussões sobre igualdade de gênero. A participação delas no mercado representa também crescimento econômico. Se 600 milhões de mulheres e meninas tiverem acesso às áreas de ciência, tecnologia e inovação, 144 países em desenvolvimento aumentariam o PIB em 8 trilhões de dólares. A estimativa é da ONU Mulheres e mostra que uma maior participação feminina na tecnologia é benéfica para os negócios.

 

Quais as dificuldades enfrentadas por elas?

Embora pareça um desafio que ficou no passado, a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho é marcante na área de tecnologia. No Brasil, mulheres são promovidas três vezes menos que os homens no setor, por exemplo.

Além disso, elas representam apenas 20% dos mais de 580 mil profissionais que trabalham com Tecnologia da Informação no país. Para agravar a situação, 51% delas relataram sofrer preconceito no ambiente de trabalho. Entre as principais dificuldades enfrentadas por elas, estão:

– Abuso moral, assédio sexual, salário desigual, desvalorização do trabalho e baixa representatividade em cargos de liderança.

–  Concorrer a vagas descritas para homens, ter que mostrar mais valor em entrevistas de emprego, mesmo com currículo igual ao do concorrente, e participar de processos seletivos retrógrados onde perguntas sobre maternidade e licença-maternidade ainda são comuns.

– Falta de oportunidades para o fortalecimento de mulheres negras na área.

 

Empoderamento feminino em Santa Catarina

Mesmo tendo como capital Florianópolis, considerada o Vale do Silício brasileiro, e com uma forte presença na área de TI, Santa Catarina ainda apresenta uma considerável desigualdade de gênero no empreendedorismo tecnológico. Segundo uma pesquisa da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE) em parceria com a Neoway, apenas 27,2% dos empreendedores nesse meio são mulheres. E a região com maior percentual de mulheres empreendedoras em tecnologia é o Norte catarinense, com 30,3%.

Para reverter esse cenário, existem iniciativas que ajudam a promover o empoderamento feminino no mercado de trabalho e na sociedade catarinense. São sites, canais de comunicação, campanhas e organizações sem fins lucrativos que impactam mulheres interessadas em empreender na área de tecnologia. Conheça alguns deles:

 

Anitas

Missão: contribuir para que as mulheres se sintam mais confiantes, seguras e empoderadas para realizar tudo o que desejam.

O que faz: organiza cursos, palestras, workshops e iniciativas que incluem as mulheres na área de tecnologia e empreendedorismo.

 

Mulheres ACATE

Missão: empoderar mulheres para aumentar a participação feminina no setor tecnológico de Santa Catarina.

O que faz: promove ações, encontros e eventos com empreendedoras de empresas associadas à entidade e outros players do setor.

 

Pyladies Floripa

Missão: ajudar mulheres a se tornarem líderes e participantes da comunidade de código aberto Python.

O que faz: a comunidade mundial tem o propósito de instigar mulheres a entrarem na área tecnológica, através de cursos, encontros e discussões.

 

Mais informações

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