2º Gov Experience: Especialistas e lideranças públicas discutem o uso da inteligência artificial no setor público
Como utilizar a inteligência artificial para melhorar os serviços públicos, aumentar a eficiência da gestão e, ao mesmo tempo, garantir segurança, ética e confiança? Esse foi o ponto central da segunda edição do Gov Experience, realizada nesta terça-feira (25), véspera do Startup Summit 2026. Promovido pelo LinkLab GOV, o evento reuniu representantes de instituições públicas de Santa Catarina e de outros estados, além de empresas de tecnologia, para discutir aplicações práticas da IA e caminhos para aproximar governo e inovação.
A programação começou pela manhã com uma agenda de matchmaking entre empresas associadas à ACATE e instituições públicas. Participaram representantes de órgãos de Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Joinville e Acre, além de empresas com soluções voltadas à transformação digital, gestão de infraestrutura, dados, inteligência artificial e serviços para o setor público.
Na abertura, Thais Nahas, Diretora da Vertical Smart Cities da ACATE, destacou a importância de criar espaços de conexão entre quem desenvolve tecnologia e quem enfrenta os desafios da gestão pública. A agenda da manhã também incluiu uma visita pelo Centro de Inovação.
Já na parte da tarde, para abrir a programação, o presidente da ACATE, Diego Ramos, ressaltou o potencial de Santa Catarina para ampliar a participação da tecnologia na modernização dos serviços públicos. Para o presidente, a relação entre tecnologia e setor público faz parte da própria história do ecossistema catarinense e representa uma oportunidade de impacto direto na vida da população.
“A gente não inova por novidade. É na inovação que nossas empresas e as instituições que cada um de vocês aqui hoje representa se fortalecem”, destacou. A programação também contou com uma fala de Valeska Daniela Tratsk, Diretora de Ciência, Tecnologia e Inovação da FAPESC, que destacou o papel das Fundações de Amparo à Pesquisa dos estados como potenciais parceiras para iniciativas envolvendo tecnologia e inovação.
Inteligência artificial a serviço do cidadão
A relação entre inteligência artificial e políticas públicas esteve no centro da apresentação de Eliana Cardoso Emediato de Azambuja, Coordenadora-Geral de Governança Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que apresentou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA).
Construído a partir de 54 ações estruturantes, o plano está organizado em cinco eixos: infraestrutura e desenvolvimento de IA; difusão, formação e capacitação; uso da inteligência artificial para melhoria dos serviços públicos; inovação empresarial; e apoio à regulação e governança da tecnologia.
Entre os objetivos estão melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, formar profissionais, desenvolver modelos avançados de linguagem em português com dados nacionais e ampliar a infraestrutura de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Segurança, confiança e prevenção de fraudes
Os riscos associados ao uso da inteligência artificial também estiveram entre os principais temas do 2º Gov Experience. No painel “IA, Confiança Digital e Gestão de Riscos na Prevenção de Fraudes em Compras Públicas”, Tácito Augusto Silva Leite, Diretor da Vertical Security Tech da ACATE, Marlon Petry, cofundador da Defenzor, e Claudio Ferreira, CEO da CSOn, discutiram como a tecnologia pode apoiar a prevenção e identificação de irregularidades.
Entre os exemplos apresentados estiveram golpes de engenharia social, deepfakes e fraudes em processos de compras públicas. Para os especialistas, a IA pode contribuir principalmente na análise e priorização de informações, mas não deve substituir a decisão humana.
“Eu diria que o papel da IA inicialmente não pode ser o de julgar. Tem que ser um papel de acelerar, amplificar a capacidade humana”, afirmou Claudio Ferreira. A análise de grandes volumes de dados pode ajudar gestores a identificar comportamentos fora do padrão e estabelecer prioridades para investigação. No entanto, segundo os participantes, a tecnologia precisa estar inserida em processos estruturados, com divisão clara de responsabilidades e mecanismos de controle.
IA no Ministério Público e no sistema de Justiça
No painel “O uso da IA no Âmbito do Ministério Público e do Sistema de Justiça”, Otavio Augusto Bennech Aranha Alves, Promotor de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), apresentou as ferramentas utilizadas pela instituição e os critérios estabelecidos para seu uso.
Além da disponibilização das ferramentas, a experiência do MPSC apresentada no evento mostrou que a adoção de IA depende também de capacitação e mudança cultural. Programas de formação foram estruturados inicialmente em âmbito nacional e, posteriormente, passaram a considerar as necessidades específicas de diferentes regiões.
A estratégia inclui ainda mentorias individuais e criação da Plataforma Aura, que reúne materiais e conteúdos sobre inteligência artificial para os integrantes da instituição.
Governança, inovação e conexão com startups
A programação da tarde também abordou o papel das instituições de controle na promoção da inovação. No painel “Tribunal da Governança Pública: O Tribunal de Contas como Indutor da Inovação”, Tatiana Custódio, Coordenadora do Laboratório de Inovação do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC), apresentou iniciativas relacionadas à inovação no setor público.
Outro destaque foi a discussão sobre o Marco Legal das Startups como instrumento para aproximar governos e empresas de tecnologia. Laryssa Oliveira, Assistente Jurídica do Inova_MPRJ, Thaís Marques, Líder de Produto do Inova_MPRJ, e Djeimella Ferreira, Especialista em Inovação Aberta da ACATE, abordaram mecanismos que podem facilitar essa conexão e ampliar a experimentação de soluções inovadoras na administração pública.
O encerramento da programação trouxe ainda o debate sobre “Inteligência Artificial e Ética”, com Juliano Alves Pinto, Secretário-Executivo da Comissão de Ética e Coordenador-Geral Adjunto de Transparência e Integridade do Ministério das Relações Exteriores, comentando sobre governança, soberania digita e cuidados no uso da IA.
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