A healthtech Aquila, que atua com uma plataforma baseada em inteligência artificial (IA) e análise de dados para apoiar radiologistas no serviço de mamografia, é uma das empresas recém-adquiridas pela DeepHealth, líder global de informática em saúde com IA e subsidiária integral da RadNet, fornecedora referência em serviços de diagnóstico por imagem – ambas as companhias são dos Estados Unidos. Com sócios presentes no país norte-americano, em Portugal e no Brasil, a Aquila foi fundada há cerca de cinco anos como uma “born global” – ou seja, com operações internacionais desde o início do negócio – e se desenvolveu impulsionada pela ACATE por meio da incubadora MIDITEC.
A aquisição da empresa pela companhia global foi motivada pelo interesse na tecnologia que integra detecção, avaliação de risco, análise de densidade mamária e novas métricas analíticas de mamografia, possibilitando que equipes clínicas monitorem e melhorem a qualidade de imagens, além de terem mais eficiência. Entre os resultados conquistados pela solução está a melhoria de 240% na qualidade do posicionamento da mama na aquisição da imagem. “Ser procurado por uma liderança tão forte quanto a DeepHealth, que vive um momento muito importante no mercado e vem adquirindo diversas empresas para consolidar sua própria suíte de produtos, demonstra que estávamos na direção correta com o trabalho que vínhamos fazendo”, conta Fernando Peixoto, cofundador da Aquila.
O relacionamento das empresas teve início a partir de um contato profissional em um evento do setor da saúde entre Rodrigo Greco, um dos sócios da Aquila, e Jonathan Go, CTO da iCAD – adquirida pela DeepHealth anteriormente, em meados de 2025. “Quando a DeepHealth começou a avaliar a possibilidade de expandir o portfólio de soluções para incluir tecnologias voltadas à qualidade de posicionamento em mamografia, Jonathan Go acabou nos referenciando internamente. Isso abriu a porta para que apresentássemos nossa solução e empresa à DeepHealth”, relata Fernando Peixoto.
A presença internacional da empresa – com clientes nos Estados Unidos e no Brasil, entre eles, o A.C.Camargo Cancer Center, de São Paulo – foi uma vantagem para firmar a negociação. Peixoto conta que a healthtech nasceu com vocação para internacionalizar: “Uma das premissas iniciais da Aquila era justamente atuar no mercado internacional. Quando comecei a pensar nesse projeto, eu já estava morando em Portugal, já tinha experiência com o mercado brasileiro e queria ter uma atuação mais global. Por isso convidei meu sócio Rodrigo, que é um amigo de infância e já vivia nos Estados Unidos, para criarmos juntos a empresa.”
O desenvolvimento da Aquila e sua conexão com o ecossistema de inovação catarinense
Antes de empreender com a Aquila, Fernando Peixoto foi um dos cofundadores da Pixeon – empresa de Florianópolis, associada à ACATE, que é referência na América Latina em tecnologia para gestão de laboratórios, clínicas e hospitais, a qual também foi incubada pelo MIDITEC no início dos anos 2000.
Em 2016, quando se mudou para Portugal, Peixoto começou a se aproximar do ecossistema de inovação local e, em 2017, teve contato com incubadoras e comunidades de tecnologia. Nessa época, começou a revisitar o tema de processamento de imagens com IA, especialmente a partir do surgimento do deep learning. “Comecei a estudar o assunto, realizar alguns testes com imagens médicas e rapidamente percebi que havia um caminho muito promissor ali. Isso despertou novamente em mim a vontade de empreender.”
Embora conectado com outros ecossistemas globais, o empreendedor destaca que considerou positivo que seus novos sócios também tivessem a oportunidade de vivenciar o ambiente da incubadora da ACATE, mantida pelo Sebrae/SC.
Para o cofundador: “A incubadora proporciona contato com outros empreendedores, com a ACATE e com todo o ecossistema de inovação, o que é extremamente enriquecedor. Essa experiência ajudou bastante os meus sócios a desenvolverem ainda mais suas competências como empreendedores e a entenderem melhor os desafios reais de construir uma empresa. Empreender não é um caminho linear; é uma verdadeira montanha-russa de emoções. Passar por um ambiente como o MIDITEC ajuda muito a preparar os fundadores para lidar com essa realidade.”
Apenas com um pequeno investimento inicial de familiares e amigos dos sócios, Peixoto afirma que a Aquila se desenvolveu de forma enxuta, com calma e liberdade para evoluir e ajustar a solução. “O crescimento foi lento, porém mais resiliente. Chegamos a cerca de R$ 50 mil a 60 mil de receita recorrente mensal com o produto, proveniente das assinaturas.”
A equipe da empresa conta com seis pessoas no total – uma nos Estados Unidos, duas em Portugal e três no Brasil. No início, cada uma contribuía com seus melhores esforços, sem necessariamente trabalhar em dedicação exclusiva ou depender da renda do negócio.
Compõem a equipe da Aquila: Rodrigo Greco, CEO; Fernando Peixoto, CIO; Aron Belfer, CMO; Tiago Stein, responsável pelas áreas de Inteligência Artificial e Processamento de Imagens; e Miguel Pedroso, Lead Software Engineer.
Com a operação de aquisição concluída no final de 2025, a empresa seguirá evoluindo sua solução de forma alinhada às estratégias da DeepHealth neste ano. O valor da aquisição não foi divulgado e o pagamento está condicionado a mecanismos contratuais vinculados a resultados.
Fique por dentro do ecossistema através da newsletter, do LinkedIn e do Instagram da ACATE.

