O Centro de Inovação Aces Tapajós (CIAT), em Santarém, foi palco da final da primeira edição do DemoDay do BioEmpreende – Edição Santarém. O evento no final de novembro, promovido pelo Polo SEBRAE de Bioeconomia em parceria com a Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), reuniu estudantes e docentes de Santarém, e Belterra, que apresentaram projetos desenvolvidos durante uma jornada de capacitação de três meses.
Ao longo do programa, os participantes participaram de workshops sobre modelagem de negócios, desenvolvimento de soluções, pitch e comunicação eficaz, além de eventos de networking. Também tiveram acesso a mentorias individuais, realizadas com o apoio de grandes empresas parceiras, como Natura, ArcelorMittal, Nanovetores, Porto de Itapoá e Fiocruz.
A final premiou três iniciativas de destaque entre os dez projetos finalistas, priorizando soluções que integram sustentabilidade, tecnologia e empreendedorismo. O primeiro lugar foi conquistado pelo projeto EcoTerpe, que transforma resíduos de açaí em fertilizantes de alta qualidade, promovendo economia circular, preservação ambiental e inclusão social.
O segundo colocado, ProbBio Health Amazônia, trouxe uma bebida funcional fermentada à base de cupuaçu, rica em probióticos, destinada a consumidores veganos, intolerantes à lactose e interessados em opções saudáveis. Em terceiro lugar, o projeto Amazon Wine apresentou uma proposta sustentável para o descarte de caroços de açaí, utilizando-os na produção de vinho de açaí, um produto inovador que tem como objetivo fortalecer a economia local.
O analista de inovação do Sebrae Nacional, Thyago Gatto, destacou a importância do programa: “O Sebrae se posiciona como um grande indutor. O nosso mote é gerar negócios. Entendemos que promover dentro da academia o estímulo ao empreendedorismo e à pesquisa que gera produto é muito relevante e ficamos muito satisfeitos em ver esse resultado.”
Para o diretor-executivo da ACATE, Gabriel Santana, o BioEmpreende representa uma oportunidade estratégica: “A ACATE se sente muito honrada em fazer parte do BioEmpreende. É muito importante atrelarmos os conhecimentos que já temos sobre economia de escala e startups ao potencial da bioeconomia, dos saberes da floresta e das comunidades. Os resultados são incríveis. É uma honra poder contribuir para a realização dessas ideias.”
Transformando ideias em impacto
O BioEmpreende capacitou 20 projetos acadêmicos, dos quais 10 chegaram à final. Durante os três meses de programa, os participantes contaram com mais de 44 horas de capacitação, mentorias de especialistas e conexões estratégicas que aproximaram as ideias inovadoras das demandas do mercado.
A bioeconomia, que movimenta cerca de 2 trilhões de euros globalmente e gera 22 milhões de empregos, tem potencial para crescer significativamente no Brasil. De acordo com estimativas, o setor pode representar 2,7% do PIB nacional até 2030. No Pará, iniciativas como o BioEmpreende mostram como o estado pode liderar esse movimento ao combinar saberes tradicionais e inovação tecnológica.
“O Sebrae segue investindo em projetos que aliam conhecimento técnico e saberes tradicionais, fortalecendo a bioeconomia como motor de transformação regional”, afirma o Gerente Regional do Sebrae no Baixo Amazonas, Paulo Dirceu Oliveira. Ele enfatiza que a colaboração entre universidades, sociedade e empresas é essencial para promover soluções inovadoras que gerem renda e preservem os recursos naturais.
O evento destacou o papel transformador da bioeconomia no desenvolvimento econômico e sustentável da Amazônia, evidenciando o potencial dos jovens empreendedores em criar soluções alinhadas às demandas globais e locais.
Sobre o Polo de Bioeconomia
O Polo Sebrae de Bioeconomia, lançado em 2022 na região do Baixo Amazonas, é uma iniciativa voltada para impulsionar o empreendedorismo e o desenvolvimento sustentável por meio do uso de recursos biológicos renováveis. O Polo fomenta inovações em setores diversos, como alimentação, moda, biotecnologia, entre outros, e promove a geração e disseminação de conhecimento, apoiando a criação de negócios inovadores e a melhoria das políticas públicas relacionadas à bioeconomia, beneficiando empreendedores, comunidades e o meio ambiente.
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