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30/Jun/2022

Diversidade: evento do Mulheres ACATE mobiliza pessoas de todo o Brasil

No presencial e pela internet, #SouMulherACATE abre discussões sobre a inclusão e o respeito às diferenças nos ambientes de trabalho

Com 116 participantes presenciais, 340 visualizações ao vivo no YouTube e 250 visitantes no LinkedIn, o #SouMulherACATE Diversidade — segundo evento híbrido do grupo Mulheres ACATE — trouxe em pauta a urgência de garantir, incentivar e respeitar a diversidade nos ambientes corporativos. Realizada na noite de 23 de junho, a ocasião reuniu lideranças do ecossistema de inovação, em três trilhas temáticas, no Lounge do CIA Primavera, em Florianópolis. Todos os conteúdos possuem tradução em Libras e podem ser acompanhados, a qualquer momento, no canal da ACATE, através do link.

Essa foi a primeira vez que um evento do Grupo Temático contou com patrocinadores: Ahgora, Cheesecake Labs, FEPESE, Mercado Livre, Softplan, Teltec Solutions e Unimed Grande Florianópolis. Além deles, o #SouMulherACATE reuniu também os parceiros Água Santa Rita e Interpres Tradução de Libras.

 

Obstáculos para a representatividade

Na abertura do evento, as mestres de cerimônia Carolina Oliveira — Founder da Ellas e coordenadora do comitê Diversidade do Mulheres ACATE — e Cleuse Soares — Coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres na Prefeitura Municipal de Florianópolis — apresentaram a diversidade como um tema muito falado e pouco conhecido. Milena Veiga — coordenadora do comitê +Oportunidades no grupo e gerente de projetos na Secretaria de Estado da Saúde de SC — trouxe dados para exemplificar o cenário. 

Segundo números da organização GPTW, 2021 foi o ano em que a diversidade esteve mais em pauta nas empresas. Entretanto, em 2022 houve uma queda de 20% no indicador, o que significa que se está falando pouco nesse assunto dentro dos ambientes de trabalho. Somente 12,1% das lideranças que responderam à mesma pesquisa afirmaram que suas empresas possuíam alta maturidade no tema “Diversidade e Inclusão”.

De acordo com Milena Veiga, a situação é bastante preocupante, tendo em vista a falta de representatividade dentro do mercado. Numa pesquisa realizada pela Pulse com 6000 colaboradores de empresas, foi apontado que 66,9% dos quadros de colaboradores hoje são compostos por pessoas brancas, contra apenas 32,74% de pretas e 0,47% de indígenas. Por idade, apenas 9,45% tinham acima de 46 anos. Por gênero, 91,76% dos profissionais são pessoas cis – indivíduos se identificam com o sexo biológico que lhes foi designado quando nasceram. E, ainda, somente 5% dessas pessoas declararam possuir algum tipo de deficiência.

“Representatividade é importante, porque é através dela que se abrem caminhos para que pessoas ocupem espaços diferentes e possam ter novos sonhos”, afirma Cleuse Soares.

Por enquanto, não estão previstas grandes mudanças nessa conjuntura. Afinal, apesar dos avanços promovidos pelas políticas de ações afirmativas, a soma de pretos e indígenas ingressando no ensino superior ainda é muito menor do que a de brancos, segundo informações da UFSC. Na área de tecnologia, as mulheres representam apenas 28% dos matriculados na instituição. E no que diz respeito à desigualdade salarial, um estudo da FIESC mostra que o salário médio das mulheres em áreas STEM continua sendo inferior ao dos homens (pelo menos 1469 reais mais baixo).

“A promoção da diversidade está dentro do propósito do nosso GT [Grupo Temático]. Com muito orgulho, o Mulheres ACATE capitaneou este evento por entender a importância que esse tema tem no dia a dia das organizações”, explica Bettina Ramos, diretora do Mulheres ACATE e presidente da Nanovetores. Fundado em 2018, o grupo tem como missão impulsionar a presença feminina no universo da tecnologia, fazendo com que o setor se torne mais igualitário, justo, criativo e diverso.

Como palavras para pautar o evento, Bettina escolheu “aprendizado”, “respeito”, “empatia” e “acolhimento”. A partir daí, as conversas que se seguiram foram centradas na definição dos conceitos de diversidade, lugar de fala e marcadores identitários, e na reflexão de como a diversidade pode ser transformadora e lucrativa para as empresas.

 

Vivências e lugar de fala

A primeira trilha, com tema “Diversidade em pauta”, foi mediada por Carolina Oliveira, que se declara mulher preta, cis e lésbica. Entre os convidados, estavam Angel Benerman (mulher trans, preta), coordenadora de operações na EAG; Lucas Axel (homem cis, preto), cofundador na Leadscast e SDR na Zoho Brasil; e Vinicius Schmidt (homem branco, LGBTQIA+, com deficiência), consultor na Schmidt Consultoria de Diversidade e Inclusão.

A conversa abordou as vivências corporativas dos convidados a partir de seus marcadores, e buscou também compreender quais boas práticas que podem ser compartilhadas para a construção de ambientes saudáveis. Um dos principais tópicos debatidos pelos palestrantes foi a naturalização de preconceitos conscientes e inconscientes, que se manifestam de maneiras variadas na sociedade — com movimentos, olhares, atitudes e falas discriminatórias, sejam eles agressivos ou discretos. Cada convidado compartilhou um pouco do momento em que se entendeu como diferente, seu processo pessoal de isolamento e de empoderamento.

 

Diversidade como cultura

A segunda trilha, sobre “Diversidade na cultura organizacional”, mediada por Vanessa Resente, CEO da Benvou, tratou de como as empresas têm implementado a diversidade em seus processos de RH e como as lideranças têm um papel importante na pluralização das equipes. Entre as convidadas, estiveram Natalia Abreu, head de Produto na Ahgora; Pricila Carmo, supervisora de Talent Acquisition no Mercado Livre; Helena Marques, Employer Branding na Cheesecake Labs; e Fernanda da Costa Oliveira, assessora de Comunicação e Marketing na Unimed Grande Florianópolis.

Segundo as palestrantes, a promoção da diversidade é trabalho de toda a empresa e deve ser vista como um processo de constante aprendizado. As lideranças também devem comprar a ideia para que o projeto seja implementado com sucesso. E, ainda de acordo com elas, os esforços de inclusão ajudam a fortalecer o sentimento de pertencimento das equipes.

Após as duas trilhas, o workshop “Observar a diversidade é praticar a empatia”, com Ana Carolina Prado — integrante do comitê de Diversidade do Mulheres ACATE e coordenadora de Gestão do Conhecimento na Softplan —, visou convidar os participantes do evento a pôr em prática os conhecimentos aprendidos e se colocarem no lugar uns dos outros. Em uma nuvem de palavras, quem assistia o evento presencialmente ou pela internet pode responder à provocação “Quais são os desafios de pessoas 50+, PCDs (pessoas com deficiência), LGBTQIAP+, pretos e mulheres?”.

 

Lucratividade e inovação

Por fim, na terceira e última trilha, de nome “Diversidade é um bom negócio”, Alline Goulart — diretora de Operações na Semente — e as convidadas Andreia Cerqueira — vice-presidente de Vendas na Microsoft Brasil — e Manuela Loeser — Global Data Privacy Operations Strategic Manager na Accenture — abordaram a vantagem competitiva da diversidade nas organizações e os desafios de pluralização nas contratações. Segundo elas, há um benefício financeiro nas empresas que apostam na pluralidade de pessoas. As empresas com mais diversidade têm 27% mais chance de superar as outras em termos de lucratividade e inovação a longo prazo.

Clientes diversos implicam na necessidade de construir um time também diverso. E impulsionar a pluralização permite a descoberta de novos potenciais a serem explorados, bem como o aumento da satisfação pessoal, da colaboração e da inovação nos ambientes corporativos.

>> Clique aqui e assista, na íntegra, a gravação do evento.

 

Mulheres ACATE

O Grupo Temático Mulheres ACATE nasceu com o objetivo de fortalecer o protagonismo feminino no universo da tecnologia e transformar a cultura empreendedora. Por meio de reuniões mensais, o grupo abre espaço para a representatividade e planeja ações que encorajem gerações mais novas a buscarem seus espaços na tecnologia.