A Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE) apoiou o Encontro de Qualidade e Produtividade em Software, realizado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio da Secretaria de Políticas em Informática (SEPIN), na última quarta (5) e quinta-feira (6). O encontro, que também contou com o apoio do IEL/SC, por meio do projeto SRI e da Incremental Tecnologia, teve como objetivo reunir pesquisadores, profissionais, empresários, professores e estudantes de diversas áreas interessados em questões relativas à qualidade de software.
Na quarta-feira, foram apresentados os software vencedores do Prêmio Dorgival Brandão Júnior da Qualidade e Produtividade em Software que são: BRISA QPM – Qualimobile Process Management (1º lugar), da BRISA/DF; o projeto Spider – Software Process Improvement: DEvelopment and Research (2º lugar), da Universidade Federal do Pará (UFPA); e O Processo de Inovação Centrada no Ser Humano: Boas Práticas de Desenvolvimento de Software Utilizadas no Projeto Portal do Aluno, da Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (CERTI) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ambos de Florianópolis.
Segundo o representante da ACATE, Moacir Antônio Marafon, o evento destaca a necessidade de inovar os processos de desenvolvimento e produção dos softwares. “Por conta da competitividade, as empresas de software precisam inovar no processo de desenvolvimento e produção, pois os softwares são cada vez mais complexos e permeiam todos os setores da economia e do conhecimento”, ressalta. Conforme apresentado, o Estado possui vários grupos, formados por iniciativa da ACATE – sendo dois concluídos, um em fase de finalização, dois em execução e um em fase de análise pela SOFTEX. Estas melhorias de processos são decisivas para a sobrevivência no mercado, segundo Marafon.
O diretor de Qualidade da Associação para a Promoção da Excelência do Software do Software Brasileiro (Softex), José Antônio Antonioni, abordou, abordou a consolidação do Programa MPS.BR e também foi apresentada a palestra “Medição de Software e Controle Estatístico de Processos” e diversos projetos do Ciclo 2012 do PBQP Software.
A palestra “O Desenvolvimento da Qualidade na Indústria de Software Brasileira – Uma Análise Longitudinal (1995-2010)” foi ministrada na quinta-feira, por representantes da UFPR. O último dia do Encontro também contou com a palestra “CERTICS: Certificação de Software e seus Serviços Associados”, do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI/SP), cujo conteúdo é parte integrante do Programa Estratégico de Software e Serviços de Tecnologia da Informação – TI MAIOR, lançado no dia 20 de agosto.
Certificação Nacional
Para o coordenador técnico do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer – CTI/SP, Giancarlo N. Stefanuto, o recém-lançado plano do governo federal é um importante catalisador no desenvolvimento sócio-econômico brasileiro. “Essa certificação dará mais segurança aos futuros compradores ou contratantes na identificação de empresas desenvolvedoras de software que tragam valor à nossa realidade”, explica. Stefanuto aponta uma característica paradoxal do mercado de softwares no Brasil: há oportunidade de crescimento, contudo, apresenta alguma fragilidade. O coordenador ainda questiona se a indústria nacional de software tem condições de se desenvolver sustentavelmente e se é capaz de se tornar um ator global nesse mercado.
Entre as fragilidades da indústria brasileira indicadas por Stefanuto, estão a baixa oferta de recursos humanos específicos e de nível técnico, a pulverização de competências, a baixa densidade tecnológica, a falta de clareza na imagem e posicionamento dentro do mercado e a baixa indução governamental. Com a certificação, o CTI-SP pretende fortalecer o setor, por meio da geração de valor e competitividade, gerando também autonomia, inclusive na definição de trajetórias políticas e econômicas, para empresas de todos os portes e com diferentes modelos de negócios.
Certificação
“A CERTICS vem atender a uma exigência do governo. Ela está intimamente ligada ao projeto TI MAIOR”, afirma o coordenador do projeto. A Certificação de Software e seus Serviços Associados ocorrerá de forma voluntária por parte das empresas e irá identificar, credenciar e diferenciar softwares e serviços que geram valor ao Brasil e contribuam para o seu desenvolvimento social e econômico. Na prática, ela irá introduzir a margem de preferência na compra pública – benefício já levado em consideração quando se trata do porte das empresas.
A certificação, que atualmente está passando por consulta pública, é destinada a empresas de desenvolvimento de software instaladas em território nacional, que buscam qualificação em compras públicas e diferenciais de mercado. “Não estamos falando de um certificado de origem e nem temos a intenção de engessar o processo de desenvolvimento, mas verificar o que esse processo traz de valor ao país, em forma de competências”, destaca o coordenador técnico da CERTICS.
Método de avaliação
A metodologia de avaliação para conferir a certificação atenderá a um conjunto de 24 evidências, ligadas às seguintes competências: desenvolvimento, gestão de tecnologia, gestão de negócios, gestão de alianças e parcerias e gestão de pessoas, processos e conhecimento. A avaliação levará em conta os diferentes modelos de negócios – como no caso de software livre ou embarcado – e ficará sob responsabilidade de um núcleo do CTI-SP e um conjunto de avaliadores ou entidades credenciadas pelo Centro. Já o monitoramento será realizado pelo próprio CTI e pela Fundação de Apoio a Capacitação em Tecnologia da Informação (FACTI). “Estamos em um momento de pré-implantação, em busca de melhorias na metodologia, mas queremos desenvolver ecossistemas que sejam estratégicos para o País, como é o caso do petróleo, do agrobusiness, construção civil entre outros”, finaliza Stefanuto.
