A primeira edição do evento 100 Mulheres reuniu mais de 120 empreendedoras e líderes do setor de tecnologia em Florianópolis (SC). Organizado pelo Grupo Temático Mulheres ACATE, o evento contou com palestras e paineis de especialistas, abordando desde o futuro do empreendedorismo feminino até histórias de mulheres disruptivas que impactaram a tecnologia ao longo dos anos. Também foram apresentados cases de sucesso e insights sobre como parcerias e investimentos podem impulsionar negócios liderados por mulheres.
Mais do que uma oportunidade de aprendizado, a programação promoveu troca de experiências e networking entre as participantes. Durante a abertura, Diego Ramos, presidente da ACATE, destacou a importância de iniciativas como o 100 Mulheres. “A ACATE é uma inspiração dentro do ecossistema. Hoje, contamos com uma alta participação das mulheres, com um quadro de colaboradores formado 75% por elas. O próximo passo é incluir cada vez mais mulheres no ecossistema de tecnologia como um todo”, afirmou.
Tatiane Bertoni, CEO & Co-Founder da Dataforall e Diretora do Grupo Mulheres ACATE, reforçou o propósito do evento como um espaço para valorizar as conquistas das empreendedoras e ampliar a diversidade no setor. “No GT Mulheres ACATE, nós acreditamos que a mudança começa com a ação. Cada uma de nós tem um papel fundamental nessa transformação, seja promovendo oportunidades, combatendo vieses inconscientes ou incentivando mais mulheres a procurar por posições estratégicas. Todas podemos contribuir para um futuro mais igualitário. Que esse evento seja um espaço de aprendizado, de conexão e inspiração para todas vocês”.
O evento foi realizado pelo Grupo Temático Mulheres ACATE, com o apoio do Sebrae Startups e Impact Hub Floripa.
Investimentos em startups e empreendedoras
O painel “Negócios e Investimentos” trouxe a perspectiva de investidoras sobre o ecossistema de startups lideradas por mulheres. Paloma Lecheta, Co-Founder da Founders Hub, e Marina Leite, RI & Business Development na Invisto, discutiram os desafios e oportunidades para mulheres que buscam investimentos para seus negócios.
Marina destacou um dado alarmante: apenas 12% do total investido em venture capital no Brasil vai para empresas lideradas por mulheres (Startups, 2024). “No nosso último fundo, selecionamos 10 startups entre mais de 900. E quantas eram comandadas por mulheres? Muito poucas. Então, de novo, voltamos para o tópico de que precisamos ocupar esse espaço de liderança, de acolher e olhar nos venture capital uma oportunidade para empreendedoras também”, afirmou.
Apesar desse cenário, Marina pontuou que alguns investidores institucionais, como o BNDES e a FINEP, têm buscado apoiar mais negócios fundados por mulheres. Ela também destacou a importância de estar presente em eventos do ecossistema e construir uma rede de contatos. “Construam a sua rede de relacionamento a partir do zero. Esteja nos eventos, construa esses relacionamentos. Alguém sempre vai te puxar e te indicar”.
Oportunidades e Insights para empreender
Emilia Chagas, diretora de Aceleração na Darwin Startups, apresentou sua jornada como empreendedora para as ouvintes. Atual membro do conselho e antiga CEO da Growth Hackers (comunidade de empreendedores que reúne grandes empresas, como Nubank, Airbnb, Google, e outros), Emilia discorreu sobre empreendedorismo, sua história, desafios e oportunidades.“Quem empreende para de ver problemas. A gente começa a ver desafios, oportunidades. Quanto maior, quanto mais dói, quanto mais gente sente essa dor, melhor é. Por quê? Porque ao solucionar esse problema, você vai ter algo que é o que todo mundo sonha. Você tem clientes”.
A empreendedora também ressaltou que mais que um excelente produto, é importante estar atenta ao mercado e canais de distribuição. “Aprendi que eu não só preciso de um excelente produto, eu preciso colocar esse produto na frente do meu cliente. Quais são os meus canais? Quais são os melhores canais?”.
Valeska Tratsk, diretora de Ciência, Tecnologia e Inovação na Fapesc, e participante de outro painel do evento, ressaltou que o apoio público é um importante impulsionador de negócios e que as empreendedoras devem se lembrar deste apoio sempre. “Na Fapesc, nós temos fomentos de R$140 mil até R$600 mil disponíveis. E ao contrário dos bancos, que vão cobrar esse dinheiro com juros posteriormente, nós apenas solicitamos prestação de contas de como anda o projeto investido. O dinheiro é da empreendedora. É um investimento que o governo faz em pesquisa, em inovação, em nosso estado”.
O presente das mulheres na tecnologia
No painel “Conectando o Agora ao Amanhã: A Força do Ecossistema de Inovação”, especialistas compartilharam suas experiências e abordaram como as mulheres podem prosperar no setor. Entre as painelistas estavam Valeska Tratsk, diretora de Ciência, Tecnologia e Inovação na Fapesc; Joana de Jesus, CEO da Automatisa; Clarissa Stefani, diretora de Inovação da UFSC; e Rosiane Cabral, consultora de serviços do Sebrae.
Clarissa destacou a proximidade da Universidade Federal de Santa Catarina com a formação de novas lideranças femininas. “Na UFSC, nós temos mais de 26 mil alunos, mais de 4 mil doutorandos, doutorado profissional, mestrado profissional, mestrado acadêmico, 212 laboratórios catalogados, muitos grupos de pesquisa e cursos de graduação. Tudo isso representa oportunidades. A universidade está próxima do cidadão, das meninas e mulheres”, afirmou.
Ela também apresentou dados que refletem o avanço da presença feminina no ecossistema: dos 65 mil empreendedores oriundos de programas da UFSC, 32 mil são mulheres, representando aproximadamente 49% do total. Esse crescimento é um indicativo de que cada vez mais mulheres estão ocupando espaços e construindo trajetórias de sucesso no setor de tecnologia.
O futuro para as mulheres na tecnologia
O painel “Conectando o Agora ao Amanhã: A Força do Ecossistema de Inovação” reuniu especialistas para discutir o presente e o futuro das mulheres na tecnologia. Clarissa Stefani, diretora de Inovação da UFSC, apresentou dados que mostram o crescimento da participação feminina. “Dos 65 mil empreendedores de programas oriundos da UFSC, 32 mil são mulheres, uma representatividade de aproximadamente 49%”.
Tatiane Bertoni reforçou que, apesar dos avanços, ainda há desafios a serem superados. “Temos um longo caminho a percorrer. As estatísticas mostram que as mulheres ainda são minoria em cargos de liderança e enfrentam dificuldades como desigualdade salarial e falta de representatividade”.
O evento foi encerrado com a participação de universitárias do programa MinaTech, iniciativa que incentiva jovens mulheres a ingressarem nas áreas de engenharia e tecnologia. As estudantes relataram como a representatividade e o apoio de projetos como o Mulheres ACATE fazem a diferença para que mais mulheres se sintam encorajadas a ocupar espaços no setor.
“Motiva bastante a gente ver mulheres chegarem aonde elas chegam. Você pensa: se elas conseguiram, eu também consigo”, concluiu Stephanie Santos, estudante de Engenharia na UFSC e participante do MinaTech.
O Grupo Temático Mulheres ACATE
O Grupo Temático Mulheres ACATE é um movimento colaborativo e conta com a adesão de mais de 100 mulheres que já estão construindo – ou querem construir – o futuro da tecnologia em Santa Catarina. Podem participar regularmente dos encontros periódicos do grupo todas as mulheres empreendedoras, sócias-fundadoras, CEOs, diretoras ou interlideranças de empresas associadas à ACATE. Saiba mais sobre o grupo aqui!
Fique por dentro do ecossistema através da newsletter, do LinkedIn e do Instagram da ACATE.

